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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Canto de Primavera

Galeria de arte Lauri Blanki





CANTO DE PRIMAVERA




Em teu corpo adormece a primavera dos ímpios,
Quando tomado por cólera e tédio,
Tomas-me a carne e faz dela o teu presságio.
Em tua benevolente condição de homem
Moram pássaros rubros que me bicam
À noite, e gatos de prata que reluzem
A cor do desejo no espelho dos seus olhos.

Quando enternecido pela tua luxúria
Brotam luas em minha pele,
Ardências e sofreguidões da minha epiderme -
Vias sagradas,
Cruzes, adagas, espadas.
Cortam-me palavras rasgadas do fundo da garganta.
E me amordaçam anjos, bandidos, ogros,
Fadas-putas,
Cálices de sangue, arranhões e
Agonias muitas.

E no fim, a minha asa
Esquecida na catedral onde morreram todos os meus sonhos
Rejuvenesce em minhas costas
E eu adejo sobre a tua visão de paraíso,
O canto de volúpia em que te rejubila
E goza da minha estúpida fugacidade.

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