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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Quatro poemas sobre desilusão amorosa


Foto: imagens da internet


Estou doente

Há dias chovem estrelas enegrecidas dentro de mim.
Se eu pudesse comer do olho do furacão
Ou mastigar algumas conchas...

Ah, mas tu, que te foras sem querer deixar vestígios em mim
Ainda está presente em meus dias,
Todos nublados, todos repletos de chuvas de meteoros
E luas que nunca nascem...


Perdoe-me, deixa-me viver, liberte meu espírito

Alma sedenta, para que não arranhes
O corpo que te envolve,
Perdoa-me!

Cá dentro, batem em revoada
Todos os presságios
Que um dia ousaram fugir dos jardins secretos.
E hoje a hiena que é minha alma, está sedenta por sangue,
Sedenta!

Alma sedenta, para que as crianças não chorem,
E os homens não exijam que eu vá para debaixo da cama.
Não vou beijar teus pés, não estou condenado ao inferno.

Alma sedenta, antes de qualquer coisa,
Perdoe-me, deixe-me viver, liberte meu espírito.

Você é minha irmã, meu pedaço de inocência,
Crescendo em meu peito como uma caçadora,
Eu te amo por que não preciso me explicar pra você
Nem contar meus sonhos para as estrelas.

Você é minha irmã, minha farpa aguda,
Minha estaca enterrada no peito,
Eu não sou uma mulher, mas sou a tua irmã,
Aqui jaz a minha futura permissão cristã
Para a felicidade.

Liberte o que ainda resta de frutífero em minha
Insinuação de vida, traço curto.
Liberte o meu espírito,
Deixe-me viver,
Perdoe-me!


Se piso em falso
Chove.
E esse caos
Poético-melancólico
Dentro de mim,
Rasgando a sugestão de realidade
A que a miséria me submete.

Quero beber do por do sol
Em tuas mãos
Antes que a mortalha do amor
Frustre a minha existência.

Não brotaremos mais como antes
Dos Oasis artificiais que criamos.

Adeus, cá estou a dizer!


Permitas-me dizer, não és tão formoso
Quanto pensas,
Mais belo é o meu café
Que me aquece por dentro, tal qual
Os homens que voluptuosos
Se aconchegam em mim
Em busca do acalanto que suas mães
E outras mulheres não os deram.

Não te enganes com a minha paixão,
Sei fingir a frieza que não encontrarás na bem quista,
Bela e inquiridora Senhora.
Nela, tu encontrarás os símbolos de fé,
Nos quais não acredita
E o ventre onde depositará a tua imagem e semelhança.

Estarás feliz? Mas não é a este ponto que quero chegar,
Quero dizer-te, permita-me novamente dizer-te,
Não és tão garboso quanto te supões,
Eras, quando estavas junto a mim,
Hoje, que não és mais meu,
Mais belo é o vinho que despenca pela minha garganta
E cá dentro, mais bela é ainda, a tua imagem

Que eu um dia idealizei.

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