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segunda-feira, 22 de maio de 2017

[ROMANCE] Epicuro em meu jardim - Marcos Welinton Freitas


A poesia deveria vir até mim, como num ímpeto. Devir vir inominada, como no gozo. Apenas o estado em que o corpo se concentra em um único sentido, o tato. Mas a poesia vem até mim dilacerando toda a minha estrutura. Costura-se em minhas artérias e vaza pelos meus olhos, pela minha boca, pelos meus dedos. Todos os sentidos se perdem e se reencontram. A poesia me torna, me assalta, antecede o meu desejo. Eu só tenho desejo no poema.

- Trecho do Livro Epicuro em meu jardim




Ficha Técinica

Autor: Marcos Welinton Freitas
Págs: 110
Gênero: Romance
Formato: 14 X 21
Editora: Multifoco | Selo: Desfecho Romances

Lançamento: 2017

Sinopse:

A vida às vezes nos põe no pelourinho, abrindo em nós feridas que parecem que nunca cicatrizarão, foi assim com Hedonê. Após perder o grande amor da sua vida em circunstâncias fatais, a tristeza abraçou-a de tal modo que até a única coisa que podia salvá-la de si mesmo ela perdeu, a sua literatura. A poesia deixou de fazer-lhe companhia, e ela se tornou uma escritora falida, sem muito o que dizer do mundo, e sem interesse de permanecer viva. Para aplacar sua dor e sentir-se como antes, buscando o seu antigo eu perdido, Hedonê se veste com toda a sua luxúria e sai às ruas da cidade à procura de corpos que possam lhe proporcionar o prazer que haverá de lhe afastar da dor. Nessa busca compulsiva por uma saciedade perdida, ela acaba conhecendo Eros, um jovem e belo fotógrafo que a arranca da sua zona de desconforto e a faz repensar a sua vida e a sua obrigação de seguir em frente, mesmo após tudo o que fora tirado dela.




Desde já afirmo que essa não é uma obra para todos; sendo apenas aqueles que estão dispostos a se entregar sem pudor e ressalvas a construção de um enredo que mistura a Deusa do prazer e o Deus do amor em busca do epicurismo em sua forma mais pura. É um convite a entrega em sua imensidão que te cobra que você se deixe levar pelo  prazer de uma boa escrita concomitantemente ao prazer de um enredo complexo e instigante, assim como ao prazer de uma personagem que está ali para te levar ao ápice do ser ao se reencontrar!



- Brooke Bells 

O autor construiu uma bela personagem e uma rica história. Hedonê consegue se revelar em sentimentos que estão no recôndito de seu coração, mas ainda assim se mantém misteriosa, posto que não revela seu nome real.



- Tomo Literário

As carateristas da personagem são brevemente descrita e o foco total da narrativa é o sentimentos dela. Mostra como é o desenvolvimento dela até ela desvincilhar por completo do luto que sentia por dentro... Gostei bastante da história e mega recomendo para aqueles que querem começar a adentrar o gênero erótico.


- Um Baixinho nos Livros





Onde comprar?

Site da Editora Multifoco -> Clique aqui





Adicione o livro também à sua biblioteca do Skoob e curta a página no facebook.


Resenhas:







Leia alguns trechos do livro:




A vida é um jogo clichê, em e quê se não se segue o trilho que fora traçado para você, é como se estivesse tentando cometer um suicídio, pois os mares que se formam com o tempo sempre te arrastarão para o ponto de partida, e daí nascerá uma impossibilidade, um muro, uma barreira, que te afastará da tua coragem e do teu eu, e te deixara perplexa com a força com que te tomará.




O erro do homem é tentar sobreviver às suas dores, quando na verdade o seu dever é viver.


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sábado, 15 de abril de 2017

Alma Nua, coletânea de contos disponível no Wattpad

Boa noite, meus leitores amorzinhos da vida toda. 

Como estão todxs vocês?

Espero que estejam super bem e que tenham curtido e estejam curtindo bastante o feriadão ainda.

Mas deixa eu contar uma coisa para vocês. Tem uma coletânia de contos minha, completa disponível no wattpad. 



Sim, é meu presentinho para vocês esse final de semana.

A coletânia se chama Alma Nua, e você pode começar a ler ela agora clicando aqui.

Abaixo segue a sinopse e a capa do livro.




SINOPSE:

O cotidiano pode reservar surpresas e momentos de contemplação que vão muito além da percepção que o homem faz de si mesmo. Este é um livro de contos feito de cenas, que se costuram para dar forma a o mesmo tema. O amor, o ódio, o tesão a vontade de viver, o Ser-em-si. Aqui todos estes ingredientes se misturam para dar forma a um bordado que conta além de história de vida, tentativas de reconhecimento.
Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? Todas estas perguntas são investigadas, mas deixadas de lado para chegar a um único ponto de convergência: viver é a única obrigação do homem.
Desde um padre homossexual que se culpa pelo seu desejo, há um homem que se sente culpado pela morte da mulher por não ter tido coragem, até um palhaço que se apaixona por um espectador e o ama como num rápido.
O universo criado neste livro é inteiramente novo, a abordagem psicológica e intensa e a sexualidade é visceral.
Renda-se a vida, ao desejo, a si próprio, dispa sua alma e sinta a vida em carne viva.


Espero que vocês gostem desse presentinho singelo.
Não esqueçam de votar, deixar comentários e adicionar a lista de leituras de vocês, que o autor aqui precisa de visibilidade, né não?

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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Canto de Primavera

Galeria de arte Lauri Blanki





CANTO DE PRIMAVERA




Em teu corpo adormece a primavera dos ímpios,
Quando tomado por cólera e tédio,
Tomas-me a carne e faz dela o teu presságio.
Em tua benevolente condição de homem
Moram pássaros rubros que me bicam
À noite, e gatos de prata que reluzem
A cor do desejo no espelho dos seus olhos.

Quando enternecido pela tua luxúria
Brotam luas em minha pele,
Ardências e sofreguidões da minha epiderme -
Vias sagradas,
Cruzes, adagas, espadas.
Cortam-me palavras rasgadas do fundo da garganta.
E me amordaçam anjos, bandidos, ogros,
Fadas-putas,
Cálices de sangue, arranhões e
Agonias muitas.

E no fim, a minha asa
Esquecida na catedral onde morreram todos os meus sonhos
Rejuvenesce em minhas costas
E eu adejo sobre a tua visão de paraíso,
O canto de volúpia em que te rejubila
E goza da minha estúpida fugacidade.
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quarta-feira, 1 de março de 2017

Romance novo no Wattpad: Primavera de Cinzas




Bom dia, gente linda! Como passaram o carnaval? 

Espero que tenham se divertido muito e que tenha corrido tudo bem, e que também tenham descansado, né? Porque voltar para a rotinna não é nada fácil depois desse feriadão.

Mas não vim aqui falar sobre isso, vim contar uma coisa nova para vocês.

Gente, comecei a postar um romance novo no wattpad. É uma história bem legal e cheia de reflexões sobre a vida e o mundo. O nome do romance é Primavera de Cinzas e conta a história de uma amizade entre duas mulheres de idades distintas. Cada uma tem sua vida e um passado cruel para esquecer, e elas vão se ajudam enquanto vão tocando em frente.

Logo abaixo temos a Sinopse e a capa do livro e também o link para que vocês possam lê-lo gratuitamente. Até o momento só o primeiro capítulo foi postado, mas breve postarei masi capítulos.



Sinopse:

Os fantasmas do passado podem ser uma ferida irremediável.Dita e Camila são duas mulheres de idades diferentes e com modos distintos de viver. Camila, que prefere ser chamada de Camila em chamas é uma moça muito extrovertida e atraente que vive a sua vida tentando esquecer do seu ex-namorado através aventuras sexuais que são narradas todas as manhãs para Dita. Dita é uma senhora de sessenta e oito anos que após um grande trauma do passado deixou de falar e vive atormentada por fantasmas e lembranças que a persseguem aonde vai.As duas mantém uma relação de amizade complexa e sempre estão a se investigarem com suas histórias, confrontando-se com as suas realidades. Cada uma delas vive a sua dor, mas ambas se identificam na história uma da outra.Nesse cenário, entre lembranças de amores perdidos, cenas sensuais e o fantasma de uma criança morta a história se desenvolve desnudando cada uma das personagens e a sua sede por vida, ou a sua fraqueza diante do mundo.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Quatro poemas sobre desilusão amorosa


Foto: imagens da internet


Estou doente

Há dias chovem estrelas enegrecidas dentro de mim.
Se eu pudesse comer do olho do furacão
Ou mastigar algumas conchas...

Ah, mas tu, que te foras sem querer deixar vestígios em mim
Ainda está presente em meus dias,
Todos nublados, todos repletos de chuvas de meteoros
E luas que nunca nascem...


Perdoe-me, deixa-me viver, liberte meu espírito

Alma sedenta, para que não arranhes
O corpo que te envolve,
Perdoa-me!

Cá dentro, batem em revoada
Todos os presságios
Que um dia ousaram fugir dos jardins secretos.
E hoje a hiena que é minha alma, está sedenta por sangue,
Sedenta!

Alma sedenta, para que as crianças não chorem,
E os homens não exijam que eu vá para debaixo da cama.
Não vou beijar teus pés, não estou condenado ao inferno.

Alma sedenta, antes de qualquer coisa,
Perdoe-me, deixe-me viver, liberte meu espírito.

Você é minha irmã, meu pedaço de inocência,
Crescendo em meu peito como uma caçadora,
Eu te amo por que não preciso me explicar pra você
Nem contar meus sonhos para as estrelas.

Você é minha irmã, minha farpa aguda,
Minha estaca enterrada no peito,
Eu não sou uma mulher, mas sou a tua irmã,
Aqui jaz a minha futura permissão cristã
Para a felicidade.

Liberte o que ainda resta de frutífero em minha
Insinuação de vida, traço curto.
Liberte o meu espírito,
Deixe-me viver,
Perdoe-me!


Se piso em falso
Chove.
E esse caos
Poético-melancólico
Dentro de mim,
Rasgando a sugestão de realidade
A que a miséria me submete.

Quero beber do por do sol
Em tuas mãos
Antes que a mortalha do amor
Frustre a minha existência.

Não brotaremos mais como antes
Dos Oasis artificiais que criamos.

Adeus, cá estou a dizer!


Permitas-me dizer, não és tão formoso
Quanto pensas,
Mais belo é o meu café
Que me aquece por dentro, tal qual
Os homens que voluptuosos
Se aconchegam em mim
Em busca do acalanto que suas mães
E outras mulheres não os deram.

Não te enganes com a minha paixão,
Sei fingir a frieza que não encontrarás na bem quista,
Bela e inquiridora Senhora.
Nela, tu encontrarás os símbolos de fé,
Nos quais não acredita
E o ventre onde depositará a tua imagem e semelhança.

Estarás feliz? Mas não é a este ponto que quero chegar,
Quero dizer-te, permita-me novamente dizer-te,
Não és tão garboso quanto te supões,
Eras, quando estavas junto a mim,
Hoje, que não és mais meu,
Mais belo é o vinho que despenca pela minha garganta
E cá dentro, mais bela é ainda, a tua imagem

Que eu um dia idealizei.
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Parceria: Surpresas nas Páginas




Boa noite, lindos e lindas que visitam o meu cantinho sempre que podem. Hoje estou radiante e cheio de felicidade. 

Todos vocês já devem saber que em Abril estarei publicando o meu primeiro romance que intitulei de "Epicuro em meu jardim". Todos também sabem como é muito difícil se inserir no mercado literário. Escrever não é tão difícil assim, o difícil mesmo e ser reconhecido por aquilo que você faz. Mas existem anjos, existem pessoas comprometidas com a literatura que estão dispostas a te dar um espaço para que você fale do seu livro, para que você mostre o seu trabalho e se sinta realizado enquanto escritor.

E foi isso que aconteceu comigo, nessa longa caminhada entre escrever os capítulos e enviar para os betas, e procurar divulgar o meu material eu encontrei pessoas maravilhosas que estavam ali prontas para me socorrer e me apoiar. E hoje com muita felicidade e carinho no coração eu venho a nunciar a minha parceria com o blogue Surpresas nas Páginas.

O blogue é lindo, lindo, lindo. A primeira impressão que tive ao visitar foi de estar chegando em uma casa bem florida e aconchegante. Senti-me muito bem no espaço, entre as resenhas, as dicas de leitura, as divulgações, tudo colocado em seu devido lugar pelo Joiran, que é quem toma conta do blogue. É claro que ele tem ajuda de outras pessoas, mas ele é a grande mente por trás daquele jardim.

Não sei se vocês sabem Epicuro, que era um grande filosofo, convidava as pessoas a irem ao seu jardim. Chama escravos, mulheres, crianças, gays. Ele tinha um apreço enorme pela amizade e dividir o seu saber com as pessoas. E é assim que me sinto hoje, compartilhando das alegrias do ofício de ser escritor com amigos maravilhosos que sempre estarão ali para me amparar, e que se precisarem sempre me terão aqui, no mesmo lugar.

O Joiran ainda, para acabar de acabar com esse coração que não bate mais, só apanha, fez uma postagem linda me apresentando para os leitores do blogue dele, dá um clique aqui para conferir. 

Gente, estou muito feliz, muito alegre com isso. Espero que vocês também sintam essa emoção que se sente ao se fazer novos laços.

Bem, que Joiran e seu blogue sejam bem-vindos e que essa parceria dure o tempo que dura.

Um abraço a todos e boa noite!
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[CONTO] O crime do chapeleiro

Foto: Teatro dos bonecos giramundo

Ao me olhar nos olhos, Marta disse não ter visto a mim, mas a um outro dela desconhecido. Imediatamente levantei-me da cama e fui ao encontro de mim mesmo no espelho. Ao deparar-se com a minha figura, tornei-me absorto como uma lagarta em um casulo e nunca mais voltei a ser o mesmo.
***
Levei um soco no queixo e instantaneamente senti o sangue escorrer pelo canto esquerdo dos meus lábios. As pessoas em derredor de mim observavam-me com aquelas suas caras assustadas, como crianças inquiridoras em buscas das respostas de suas perguntas curiosas. Os olhos grandes como o de figuras surrealistas pregadas em uma tela de desassossego investigavam a minha conduta e resignação. O homem ao qual eu havia ofendido olhava-me com olhos fugazes de raiva. O ódio o fazia parecer como um leão faminto pelo corpo da presa. Estava rubro como uma estrela escarlate. “Aqui não é lugar para brigas”, exclamou o dono do bar que surgiu num repente da porta que dava para a cozinha. “Ele quem começou”, disse o homem ao qual eu havia ofendido, alegando como uma criança a sua inocência, e como um bandido o direito de fazer justiça com as próprias mãos. Sorri levianamente ao ver sua atitude covarde e novamente ofendi-o com os mesmos xingamentos que havia feito antes. Ele olhou abruptamente dentro dos olhos e eu vi-me refletido na sua raiva, lá no fundo, dentro daquelas duas bolas negras. Vi-me como a um monstro ensandecido buscando naquele ato de loucura uma resposta para a própria abstinência de não ser.
O homem continuava a me fitar atônito, com as bochechas rosadas e o lábio inferior trêmulo. A ira desperta em seus movimentos. Novamente ele dirigiu-se até mim e socou-me. Agora, seu punho fechado, viera em direção a minha bochecha e eu senti quando um dos dentes soltara-se da minha boca e perdera-se no chão em meio aos pés das pessoas que nos cercavam, tentando fazer com que ele parasse de me bater. Insanidade. Eu deveria chamar aquilo de insanidade, mas não era o que eu pretendia fazer, precisava de uma confirmação, precisava da confirmação vinda da dor.
O dono do bar, vendo tudo aquilo recomeçar e percebendo a minha culpa, aproximou-se de mim, pegou-me pelos braços e pediu, exclamando injúrias, que eu abandonasse o seu estabelecimento, ou ele chamaria a policia. O homem que havia me agredido saíra ileso de toda a situação, não fora culpado, nem por mim socado. Eu tinha assumido toda a culpa, e tudo se tornara claro. Era sempre minha a culpa. A de existir, a de não ser, a de... A culpa, sempre a mesma palavra incansavelmente dita pelos olhos dos outros. Os olhos que perscrutavam o meu corpo, os meus movimentos a minha conduta. Quem eu era além daquele fetiche vindo das sombras do meu âmago?
Tudo começara com aquela maldita peça, aquela maldita interpretação. Todos no teatro achavam que aquele papel deveria ser interpretado por mim. Ah, mas já não bastava a interpretação que me cabia diariamente perante a sociedade? Não, para eles era pouco, muito pouco. Eu precisava emprestar o meu corpo para algo que não condizia com a realidade.
Os ensaios começaram, eu seria o chapeleiro maluco, e aquela menina Alice. Ah, aquela menina... Alice. Por que mesmo sem ser originalmente a Alice dos livros ela tinha tanto de Alice em seus gestos, sua forma de falar. Era doce, encantadora. Mas não fora isso que me fizera chegar até aqui. Não tem nada haver com aquela Alice que não era Alice, mas sim com o mistério que cercava a vida daquele louco, o psicopata que seria interpretado por mim. Sim, o chapeleiro maluco não passava de um psicopata.
***
“O quê você tem querido? Anda tão estressado com a vida, com tudo. O quê te incomoda? O quê está acontecendo?” Como ela com aquela sua cara de puta poderia entender o que estaria acontecendo, sem nem eu mesmo me dava conta daquela metamorfose. O buraco abria abaixo dos meus pés e eu tinha a certeza de quê o papel de chapeleiro fora o maior erro da minha vida. Aquele corpo-espectro agora me seguia em todos os momentos, a sua conduta psicótica havia tomado conta da minha personalidade. O quê Deus, eu fizera para merecer aquele papel?
Nos ensaios havia um mistério pairando no ar. Quem? Quem? Quem eu era? E todos me olhavam com os olhos interrogativos. Eu tentava ser a personificação da loucura. Estava fugindo dos padrões estabelecidos.
Passei o batom violeta nos lábios, pois era assim que o chapeleiro pintava a sua boca. A maquiagem branca e vermelha que deixava meu rosto com uma aparência de enfermidade. Eu estava enfermo. Haviam me induzido ao erro.
***
Estava dentro do labirinto. Desconstruí-me e não consegui me reconstruí. A sombra do demônio notívago perambulava nas esquinas do meu âmago buscando o outro para assassiná-lo. Acho que assim o foi, e por dentro eu estava morto. Tudo, absolutamente tudo me causava um imenso desgosto. O pessimismo schopenhauseano havia tomado conta dos meus pensamentos, por mais alegres que tentassem ser, não haveria saída. A vida sempre haveria de terminar como numa tragédia grega. Chegaríamos ao nosso ápice e morreríamos. Foi essa a minha insatisfação. É essa a minha insatisfação.
O chapeleiro trazia consigo toda a pachorra de alguém que almejava fugir da morte. Fugir da autodestrutividade do homem. Como? O homem é um ser autodestrutivo. Sado masoquista. Masoquista.
***
Saí correndo pelas ruas da cidade como se fugisse de alguém. Como se fugisse de mim mesmo. Ali estava a confirmação da minha individualidade. Aquela busca compulsiva por uma poção anti mortificação. Deixem-me em paz. Todos os personagens da peça correndo atrás de mim, correndo, correndo. Começou a chover. Tropecei em uma pedra e caí. A minha visão tornou-se embaçada, porém na indefinição do meu olhar, pude divisar a imagem de um coelho apontando para um caminho. Almejava segui-lo. Tentei levantar, mas não consegui. De repente ouvi os sons de uma sirene. Fechei os olhos quando vi que um policial se aproximava de mim e me algemava.
***

Eu havia matado Marta, não sabia o porquê, mas havia matado. Encontrei na morte do próximo a definição da minha humanidade. Egoísta, era o que eu sempre seria. Julgado. Preso. E depois mandado para o manicômio. Eu sempre fui louco. 
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